.:.:. Agricultura .:.:.

As abelhas
Autor do texto - Prof. Paulo Antônio F. Machado - UFMG


INTRODUÇÃO

As abelhas sôo insetos bastante conhecidos por todas as pessoas através da abelha de mel, também chamada européia ou abelha Europa, que na verdade não constitui mais que uma espécie, num mar de cerca de 20.000 espécies tecnicamente consideradas abelhas. Deste número poucas são as abelhas sociais, isto é, que convivem em grupos de seres com funções específicas; estas não passam de aproximadamente 500 espécies. A classificação zoológica das abelhas, segundo os biólogos, é a seguinte: 

  • REINO - Animal 
  • FILO - Arthropoda 
  • CLASSE - Insecta 
  • ORDEM - Hymenoptera 
  • SUBORDEM - Apocrita 
  • SUPERFAMíLIA - Apoidea 
Formigas, térmitas (cupins), vespas e abelhas são semelhantes, em termos biológicos, até o nível de subordem. A diferenciação entre eles começa ao nível de SUPERFAMíLIA (por exemplo, as formigas estão na SUPERFAMÍLIA-Formicoidea). 

A SUPERFAMÍLIA Apoidea inclui as 20.000 espécies de abelhas, divididas em nove FAMÍLIAS, dentre as quais as abelhas sociais pertencentes à FAMÍLIA Apidae. Esta família é dividida da seguinte maneira: 

As abelhas podem ser consideradas de acordo com seus hábitos, ou outras conveniências, em três categorias: sociais, solitárias e parasitas. 

As abelhas sociais são as que vivem em enxames, isto é, em grande número de indivíduos no mesmo ninho, e onde haja divisão de trabalho e separação de castas. As castas são os membros da colmeia, normalmente uma rainha, zangões e operárias, como será logo visto. Embora sejam a minoria dentre as várias espécies, trazem em si o que realmente caracteriza a essência do reino das abelhas. 

São consideradas solitárias as abelhas que vivem sozinhas e morrem antes que seus filhos atinjam a fase adulta. Constroem ninhos no chão, em fendas de pedras e árvores, em madeira podre ou em ninhos abandonados de outros insetos. Normalmente as fêmeas fecundadas preparam cuidadosamente o ninho, suprem cada célula com uma quantidade adequada de alimento preparado é base de pólen e mel, e colocam o ovo sobre essa camada de alimento. então fecham cada célula, fecham o ninho por fora e vão embora. 

O parasitismo nas abelhas difere do apresentado por outros insetos. Uma abe-lha somente parasita outra abelha e utiliza-se apenas do trabalho e do alimento que o hospedeiro armazenou. Na maioria dos casos, o parasita invade os ninhos, coloca seus ovos nas células já prontas e aprovisionadas pelo hospedeiro e deixa que seus filhos se desenvolvam aos cuidados deste. Em alguns casos, o parasita passa a conviver com o hospedeiro e pode, até mesmo, desenvolver algum tipo de trabalho em conjunto. 

Um outro tipo de parasitismo interessante é encontrado num gênero de abelhas (Lestrimelitta, conhecida popularmente por abelha-limão) socialmente bem evoluídas. As espécies deste grupo (duas) constroem seus próprios ninhos, porém o material de construção e as provisões são roubadas de outros ninhos de espécies afins, como jati, tubiba, abelha-canudo, etc. Essas abelhas saem em grande número - pois suas colônias chegam a ter milhares de indivíduos - invadem o ninho das outras e daí levam o material que necessitam. Esses ataques duram, às vezes, vários dias, e muitas abelhas morrem. Outro aspecto peculiar é que esses parasitas passam a defender o ninho con-quistado contra pilhagens ou parasitas secundários, enquanto levam o material roubado. As abelhas-limão são tão bem adaptadas a este comportamento que sequer pos-suem as corbículas*

* Órgão situado no ultimo par de pernas destinado à coleta de pólem.

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