.:.:. Agricultura .:.:.

O Girassol

ÍNDICE

1 - Introdução 
2 - Características Botânicas 
3 - Clima e Solo 
4 - Preparo do Solo, Época de Semeadura e   Plantio 
5 - Nutrição Mineral, Calagem e Adubação 
6 - Irrigação 
7 - Colheita 
8 - Armazenamento 
9 - A Utilização do Girassol na Alimentação

Autora do texto: Dra. Maria Regina Gonçalves Ungaro
- Centro de Plantas Graníferas, Instituto Agronômico (IAC) Campinas, SP.
- Com bolsa de produtividade em pesquisa do CNPq.
 


 
  1- INTRODUÇÃO  

O girassol é nativo da América do Norte, podendo ser encontrado no estado selvagem desde as planícies do noroeste do Canadá até a América do Sul. 
Evidências arqueológicas revelam o uso do girassol entre os índios americanos.  Pelo  menos uma referência menciona que o cultivo do girassol teve início no Arizona e no Novo México cerca de 3.000 a.C. Muitas evidências indicam que um tipo monocefálico de girassol doméstico existiu na pré-história e que ele pode ter sido domesticado antes da introdução do milho na América do Norte. 

 Acredita-se que o girassol de haste única apareceu como resultado de uma mutação do tipo selvagem ramificado e foi deliberadamente selecionado pelos índios para este caráter. Outras características como pigmentação, tamanho das sementes, peculiaridades da casca e maturação também foram fixadas pelos índios. 
 Supõem-se que o girassol foi introduzido na Europa no início do século XIV, na Espanha, e a descrição feita por Dodanaeus em 1568 mostrava um tipo monocefálico semelhante ao atual girassol comercial. Ele chegou à Rússia no século XVIII, inicialmente como planta ornamental e, por volta de 1830, teve início a produção de óleo de girassol em escala comercial. A partir daí, sua expansão foi rápida; no início do século XX, existiam fábricas que processavam as hastes de girassol para produção de potássio uma vez que as hastes secas contêm cerca de 5% desse elemento. 

1.1. Importância e utilização 
O girassol é uma das quatro maiores culturas oleaginosas produtoras de óleo vegetal comestível em utilização no mundo. É cultivado, com sucesso, nos cinco continentes, em mais de 20 milhões de hectares.  Os maiores produtores mundiais são a Rússia, a Argentina e os Estados Unidos. 
Se existe a planta ideal, da  qual tudo se  aproveita, o girassol está bem próximo dela. As raízes, do tipo pivotante, promovem uma considerável reciclagem de nutrientes, além da matéria orgânica deixada no solo pela sua morte; as hastes podem originar material para forraçâo acústica com ótimas características, além de, juntamente com as folhas, promoverem uma excelente adubação verde e poderem ser ensiladas. 

Das flores podem ser extraídos de 20 a 40 kg de mel por hectare de cultura; elas originam as sementes, que podem ser consumidas tanto pelo homem como pelos animais. Delas é extraído um óleo de excelentes qualidades nutricionais, cuja comparação com alguns dos principais óleos vegetais comestíveis pode ser vista na tabela 1.  O óleo de girassol é considerado como o de melhores características nutricionais e organolépticas em relação aos outros óleos vegetais comestíveis, principalmente por causa de seu elevado conteúdo de ácido linoléico; ele é recomendado na prevenção de enfermidades cardiovasculares produzidas pelo excesso de colesterol e no tratamento da esclerose múltipla. 

O girassol tem sido considerado como planta produtora de óleo, mas também é importante fonte de proteínas para a alimentação animal. A combinação dos farelos de girassol e soja é perfeita uma vez que, enquanto o primeiro é deficiente em lisina e rico em sulfurados, a soja apresenta relação inversa, sendo pobre em sulfurados e rica em lisina. 
Algumas pesquisas indicam o girassol como uma importante fonte de volumosos na utilização como alimento para bovinos, na forma de silagem. 

O girassol  é uma das principais espécies a serem utilizadas na adubação verde, em grande parte devido ao seu desenvolvimento inicial rápido, seu efeito alelopático a grande número de invasoras, à eficiência da planta na reciclagem de nutrientes e, também, em ser um agente protetor de solos contra a erosão e a infestação de invasoras, sendo recomendado para rotação de culturas. A produção média de massa verde fica entre 20 e 40 t/ha, o que corresponde a 2 a 4 t/ha de massa seca, a qual pode atingir 7 t/ha ou mais, dependendo do cultivar utilizado e das condições edafoclimáticas. 

Além da vantagem do óleo com elevado teor de ácidos graxos polinsaturados e da boa relação óleo/farelo de 3:2, o girassol ainda apresenta inúmeras vantagens que podem determinar o êxito da cultura em nosso país: 
- ampla adaptação a diferentes condições climáticas, permitindo o plantio tanto em regiões quanto em épocas marginais para outras culturas; 
- melhor aproveitamento da mão de obra da propriedade e da capacidade ociosa da indústria de extração; 
- promove reciclagem de nutrientes; 
- possui efeito alelopático sobre várias plantas daninhas; 
- amplas  possibilidades   de  participação  em esquemas de sucessão, consorciação e rotação de culturas; 
- apresenta bom rendimento econômico em termos de investimento/retorno. 
- ser de fácil condução e baixo investimento; 
- produzir óleo comestível de excelente qualidade e propriedades medicinais, ; 
- possibilitar o aproveitamento da capacidade ociosa da indústria de extração. O País apresenta uma capacidade ociosa de processamento de grãos oleaginosos, dado que, em 1994, processou 16,4 milhões de toneladas de grãos contra uma capacidade instalada de 30 milhões de t/ano. 
- permitir o uso da terra em épocas diferentes da tradicional; 

 Em resumo, a cultura do girassol é uma das mais versáteis. Para o médio e grande produtor rural, preenche necessidades de opção de rotação e suscessão de culturas com vantagens sobre outras plantas devido à sua menor sensibilidade à seca e a baixas temperaturas, especialmente quando a produção visa o mercado de óleo e de silagem. Para o pequeno produtor, além das vantagens na suscessão e rotação, é planta excelente produtora de mel, grãos para a alimentação de aves e consumo humano. Além disso, a existência de uma micro usina de extração de óleo, acessível para cooperativas, associações de produtores e mesmo agricultores de médio porte, permite a extração do óleo a frio, que serve tanto para fins medicinais (esclerose múltipla), como para uso doméstico, na própria propriedade ou mercado local. 
 

Tabela 1. Composição percentual de ácidos graxos dos principais óleos vegetais comestíveis 
Ácidos graxos   culturas   
. girassol soja milho oliva arroz canola
saturados
11,3
16,7
17,8
14,8
 23,4
6,5
monoinsaturados 
23,2
22,9 
35,3 
72,6 
39,2
61,5 
polinsaturados
65,4 
59,6
46,9 
12,4 
37,5
32,0 
total insaturados 
88,6 
82,6 
82,2 
84,9 
76,6 
93,5
rel. sat./insaturados 
1/7,8
1/4,9 
1/4,6
1/5,7
1/3,3
1/14,4
rel oléico/linoléico 
1/2,8 
1/2,3 
1/1,3 
6,4/1 
1,1/1 
1,9/1
ácido linolênico
0,2 
6,4
0,7 
1,2 
0,8
10,0

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Fonte:  ITAL e  C âmara Arbitral de la Bolsa de Cereales  de Buenos Aires.

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