O
Girassol
7.
Colheita
A colheita, quando manual, pode ser feita a partir da maturação
fisiológica, com o uso de facão ou tesoura de poda,
cortando-se na base do capítulo, os quais são levados
ao terreiro para completar a secagem, sempre virados para baixo para
favorecer a secagem do capítulo antes dos grãos.
A mecanizada, imprescindível em áreas maiores, pode
ser feita tanto pela colhedora de cereais quanto pela de milho, com
pequenas adaptações, permitindo uma maior eficiência
no aproveitamento das máquinas e implementos.
Selecionar máquinas, entre as disponíveis, para
diferentes extensões da lavoura. Deve-se planejar o plantio,
escalonado de acordo com a capacidade de colheita, para que toda a
área seja colhida no ponto ideal ou próximo a ele, evitando-se
atrasos principalmente em locais muito sujeitos ao ataque de pássaros.
Não esquecer de compatibilizar a colheita com o transporte
do produto uma vez que, pelo fato do grão de girassol ser bem
mais leve que outros grãos oleaginosos como a soja, a capacidade
de transporte é metade da realizada para a soja, por exemplo.
Na fase de colheita a planta apresenta-se com coloração
castanha, com os grãos apresentando ao redor de 15% de umidade.
A colheita antecipada pode ser feita em casos de intenso ataque de
pássaros; no entanto, ela deve ser realizada com maior rigor
na regulagem das máquinas para evitar quebra de sementes e
aumento na quantidade de impurezas no produto. Por outro lado, a colheita
atrasada pode ocasionar perdas por quebra dos grãos devido
à umidade muito baixa, evolução de doenças,
ataque de pássaros, desprendimento de grãos dos capítulos,
perdas na colheita devido à quebra de plantas por estarem muito
secas.
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Perdas na colheita
A maioria das perdas podem ser reduzidas ou minimizadas através
de medidas simples. Uma das perdas mais freqüentes relaciona-se
ao desenvolvimento desuniforme da lavoura e ao cultivar utilizado.
Lavouras desuniformes dificultam ou mesmo impedem a correta regulagem
da altura de corte, o que pode fazer com que alguns capítulos
(de plantas mais baixas, acamadas ou quebradas) passem por baixo da
plataforma sem entrar no processo de trilha. Por outro lado, plantas
muito altas acabam sendo jogadas para fora da plataforma após
o corte; isso pode ser evitado/minimizado através da colocação
de laterais altas e bem adaptadas.
A rotação do cilindro e a abertura do côncavo
devem ser bem ajustadas para que alguns grãos não fiquem
aderidos aos capítulos e acabem sendo jogados fora como impurezas.
Outro tipo de perda bastante freqüente é aquela
que ocorre durante a limpeza do produto colhido. Ela depende de fatores
como o tipo de colhedora, a abertura e o tipo das peneiras, velocidade
de trabalho, pressão da ventilação, umidade do
material colhido, altura de corte, etc.
Um fator bastante importante, principalmente na produção
de sementes, vem a ser a quebra e o descascamento dos grãos,
o que contribue para o ataque de microorganismos, a menor qualidade
e a depreciação do produto final. A velocidade da colhedora,
o teor de umidade dos grãos e a rotação do cilindro
são os principais responsáveis por esse tipo de problema.
Produto final com teor de impurezas acima de 3% encarece o transporte
uma vez que a palha é mais leve que o grão, causam problemas
na comercialização e depreciam o produto. A diminuição
na quantidade de impurezas está relacionada à regulagem
adequada das máquinas, colheita na época certa e lavouras
uniformes.
A colheita mal feita pode representar o fracasso econômico de
uma cultura bem conduzida, com potencial para altas produções
de grãos; o uso de máquinas não adaptadas, condições
climáticas desfavoráveis e cultivares inadequados podem
dificultar sua execução. Deve-se ressaltar alguns fatores
que podem interferir no processo de colheita:
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Desuniformidade da lavoura
Lavouras desuniformes dificultam ou até mesmo impedem
a regulagem da colhedora. As principais causas da desuniformidade
são as características genéticas do cultivar
utilizado, preparo de solo, distribuição das sementes,
profundidade da semeadura, heterogeneidade do solo.
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Acamamento e quebra de plantas
O acamamento normalmente está relacionado a solos rasos,
compactados na sub-superfície ou com subsolo ácido;
a quebra de plantas relaciona-se, mais freqüentemente, à
presença de doenças. Ambos os problemas dificultam a
colheita e aumentam as perdas.
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Desgrane natural dos grãos
Este é um fator dependente do cultivar utilizado. Alguns
apresentam os grãos com maior facilidade ao desgrane natural,
o que pode representar um problema grave quanto mais se atrase a colheita.
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Peso de grãos
O girassol apresenta grãos leves quando comparado com
culturas como milho e soja, que varia, na média, entre 25 e
85g por 1000 aquênios, dependendo do cultivar, das condições
de solo e clima, das condições tecnológicas adotadas.
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Teor de umidade
Na colheita deve-se levar em conta não só a umidade
nos grãos como, também, a existente nas hastes, a qual
é sempre maior que a dos grãos no ponto de colheita
(grãos entre 11 e 18% de umidade). Essa umidade das hastes
pode acabar passando, em parte, para os grãos durante o processo
de colheita, o que acaba por dificultar a limpeza, facilitar o esmagamento
dos grãos e aumentar as impurezas do produto final.
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Excesso de chuvas na colheita
Em algumas regiões, dependendo da época de plantio
de girassol, as chuvas são freqüentes e continuadas durante
o período de colheita, dificultando tanto a secagem dos grãos
e do capítulo, resultando em atrasos na colheita, intensificação
na evolução das doenças e a perda de qualidade
do produto final.
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Dano por pássaros
Algumas áreas podem ser mais susceptíveis ao ataque
de pássaros como periquitos, papagaios e até mesmo pardais;
determinadas épocas do ano também estão mais
sujeitas a danos por pássaros. Para minimizar os danos sugere-se
o plantio em áreas com mais de 15ha e realização
da colheita o mais rápido possível.
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Plataformas colhedoras de girassol
A colhedora deve ser regulada para colheita o mais perto possível
da inserção do capítulo; plantas muito altas,
quebradas ou acamadas, desuniformes dificultam a regulagem. A velocidade
da colhedora deve oscilar entre 4 e 5 km/h. Existem plataformas girassoleiras
especiais e adaptadas.
As especiais são compostas por uma unidade de corte,
bandejas receptoras, molinete e a proteção lateral.
No Brasil tem-se utilizado plataformas de milho e de soja adaptadas
para a colheita de girassol. Em ambos os casos há necessidade
de colocação de proteção nas laterais
e na parte posterior.
Para a colhedora de milho não há necessidade de
plataforma girassoleira; o plantio deve ser feito com um espaçamento
mínimo de 80cm entre as linhas, porém, a velocidade
de operação pode ser de até 9 km/h. Para usar
a colhedora de soja é necessária a colocação
de bandejas na frente da plataforma e a colhedora deve funcionar a
uma velocidade de 4 km/h.
- Ajustes da colhedora
Velocidade da colheita: determinada pelo tipo de colhedora
Rotação do cilindro: Deve-se utilizar o cilindro
de barra. Variar a velocidade de rotação entre 350 e
500 rpm; quanto mais alta a umidade da planta, mais baixa a velocidade
para não danificar os grãos. A existência de capítulos
com grãos aderidos indicam necessidade de se aumentar a velocidade
e diminuir a abertura do côncavo. Por outro lado, muitos grãos
quebrados/descascados indicam necessidade de se diminuir a velocidade
e aumentar a abertura do côncavo.
Abertura entre o cilindro e o côncavo: deve estar entre
20 e 25mm na entrada e entre 18 e 20mm na saída, dependendo
do tamanho e forma dos capítulos e do teor de umidade da cultura.
Ventilação: Deve ser menor que a utilizada para
soja e para milho em virtude do baixo peso específico dos grãos
de girassol.