Plantas
Medicinais Aromáticas e Condimentos
ÍNDICE
1. Colheita e Secagem
2. Princípios Ativos
3. Formas de Preparo e Uso dos Fitoterápicos
4. Formas de Uso
5. Herbário
6. Glossário
AS
ERVAS
"As ervas devem ser colhidas em seu hábitat natural, em seu
estado nativo; devem ser observadas as influências dos ciclos
lunares, horário do dia e estações do ano,
também, para sua coleta. Devem ser cuidadosa e amorosamente
selecionadas e suasecagem feita de acordo com os aspectos de cada
vegetal. Todos estes fatoresinfluenciam de maneira significa-tiva,
na atuação destas ervas no ser humano, somados também
aos componentes bioquímicos de cada exemplar do reino vegetal.
Utilizar-se de plantas para alimentação ou cura é
uma relação homem/vegetal que existe há muito
tempo. E hoje quanto mais nos tornamos íntimos deste processo,
mais esta-remos aproximando-nos da pureza e da origem de nossa vida;
nosso físico purifica-se e abre-se a oportunidade para uma
harmonia mais completa."
******* ******* ********
"As ervas, pôr conservarem características naturais
e os processos de obtenção serem artesanais e harmônicos,
mantém características próprias e mais sutis
que poderão não assemelhar-se com "produtos comerciais",
obtidos pôr outros processos e intenções."
1. A COLHEITA
E SECAGEM
As espécies medicinais, no que se refere
à produção de principios ativos, apresentam
alta variabilidade no tempo e espaço. O ponto de colheita
varia segundo órgao da planta, estágio de desenvolvimento,
hora do dia, semana do mês e época do ano.
A
distribuição das substâncias ativas, numa planta,
pode ser bastante irregular, assim, alguns grupos de substâncias
localizam-se preferencialmente em órgãos específicos
do vegetal.
O
estágio de desenvolvimento também é muito importante
para que se determine o melhor momento para a colheita,
principalmente em plantas perenes e anuais de ciclo longo, onde
a máxima concentração é atingida a partir
de certa idade e/ou fase de desenvolvimento.
Há
uma grande variação na concentração
de princípios ativos durante o dia: os alcalóides
e óleos essenciais concentram-se mais pela manhã,
os glicosídeos à tarde.
Também
a época do ano exerce modificações nos
teores de princípios ativos, assim a colheita de raízes
no começo do inverno ou no início da primavera (antes
da brotação), são citados como melhores épocas.
As
cascas são colhidas quando planta está completamente
desenvolvida, ao fim da vida anual ou antes da floração
(nas perenes), nos arbustos as cascas são separadas no outono
e, nas árvores, na primavera.
No
caso de sementes recomenda-se esperar até o completo amadurecimento,
no caso de frutos deiscentes (cujas sementes caem após o
amadurecimento), a colheita deve ser antecipada.
Os
frutos carnosos com finalidade medicinal são coletados completamente
maduros. Os frutos secos, como os aquênios, podem cair após
a secagem na planta, por isso recomenda-se antecipar a colheita.
Deve-se
salientar que a colheita das plantas em um determinado momento
tem o intuito de obter o máximo teor de princípio
ativo, no entanto, na maioria das vezes, e em casos de necessidade
de urgencia, nada impede que as plantas sejam colhidas antes
ou depois do ponto de colheita para uso imediato.
Como Colher:
Uma
vez determinado o momento correto, deve-se fazer a colheita com tempo
seco, de preferência, e sem água sobre as partes, como
orvalho ou água nas folhas. Assim a melhor hora da colheita
é pela manhã, logo que secar o orvalho das plantas.
O
material colhido é colocado em cestos e caixas; deve-se ter
o cuidado de não amontoá-los ou amassá-los, para
não acelerar a degradação e perda de qualidade.
Deve-se
evitar a colheita de plantas doentes, com manchas, fora do padrão,
com terra, poeira, órgãos deformados, etc.
Durante
o processo de colheita é importante evitar a incidência
direta de raios solares sobre as partes colhidas, principalmente flores
e folhas. As raízes podem permanecer por algum tempo ao sol.
Imediatamente após a colheita o material deve ser encaminhado
para a secagem.
PROCESSAMENTO
PÓS-COLHEITA
Normalmente
após a colheita das plantas pode-se fazer o uso direto do material
fresco, extrair substâncias ativas e aromáticas do material
fresco ( tinturas ) ou a secagem.
CUDADOS
QUE ANTECEDEM A SECAGEM
Antes
da secagem, deve-se adotar alguns procedimentos básicos para
a boa qualidade do produtos:
-Não
se deve lavar as plantas previamente antes da secagem, exceto no caso
de raízes e rizomas que devem ser lavados.
-Deve-se
separar as plantas de espécies diferentes.
-As
plantas colhidas e transportadas ao local de secagem não devem
receber raios solares.
-Antes
de submeter as plantas à secagem, deve-se fazer a eliminação
de impurezas (terra, pedras, outras plantas, etc) e partes da planta
que estejam em condições indesejáveis (sujas,
descoloridas ou manchadas, danificadas...).
-As
plantas colhidas inteiras devem ter cada parte (folhas, flores, sementes,
frutos e raízes) colocadas para secar em separado, e conservadas
depois em recipientes separados.
- Quando
as raízes são volumosas, pode-se cortá-las em
pedaços ou fatias para facilitar a secagem.
-Para
secar as folhas, a melhor maneira é conservá-las com
seus talos, pois isto preserva suas qualidades, previne danos e facilita
o manuseio. Folhas grandes devem ser secas separadas do caule. Nas
fohas com nervura principal muito espessa, estas são
removidas para facilitar a secagem.
SECAGEM
O
consumo de plantas medicinais frescas garante ação mais
eficaz dos princípios curativos, entretanto, nem sempre se
dispõe de plantas frescas para uso imediato, e a secagem possibilita
conservação quando bem conduzida.
A
redução do teor de água durante a secagem, impede
a ação enzimática e consequente deterioração.
O
órgão vegetal, seja folha, flor, raiz, casca, quando
recém colhido se apresenta com elevado teor de umidade e substratos,
o que concorre para um aumento na ação enzimática,
que compreende diversas reações. Estas reações
são reduzidas à medida que se retira água do
órgão, pois a redução de umidade do meio
é o melhor inibidor da ação enzimática.
Daí a necessidade de iniciar a secagem imediatamente após
a colheita.
A
secagem reduz o peso da planta, em função da evaporação
de água contida nas células e tecidos das plantas, promovendo
o aumento percentual de princípios ativos em relação
ao peso inicial da planta. Daí dever-se utilizar menor quantidade
de plantas secas do que frescas. No entanto, esta percentagem varia
com a idade da planta e condições de umidade do meio.
SECAGEM
NATURAL
A
secagem natural é um processo lento, que deve ser conduzido
à sombra, em local ventilado, protegido de poeira e do ataque
de insetos e outros animais. Este processo é recomendado para
regiões que tenham condições climáticas
favoráveis, relacionadas principalmente a alta ventilação
e temperatura, com baixa umidade relativa.
O
secador de temperatura ambiente dá bons resultados em
climas secos e quentes quando na época da colheita e secagem.
Constitui-se numa sala ou salão com um telhado de duas águas.
Dentro, deve conter estruturas de madeira ou metal, onde se apoiam
as plantas em feixes ou em bandejas.
Deve-se
espalhar o material a ser seco em camadas finas, permitindo assim
a circulação de ar entre as partes vegetais, o que favorece
a secagem mais uniforme. Para isto podem ser utilizadas bandejas
com moldura semelhantes. Quando a secagem é muito lenta,
pode-se fazer cuidadosa movimentação das plantas sobre
as bandejas, evitando-se danos, principalmente se o material está
muito úmido.
Outra
maneira prática é dependurar as plantas em feixes pequenos
amarrados com barbante. Os feixes devem ficar afastados entre si.
As
plantas secas nestas condições vão ter um teor
de umidade em equilíbrio com a umidade relativa do ambiente.
Se esta for baixa, tanto menor vai ser o teor de umidade ao final
da secagem, o que melhora a conservação do material
seco.
SECAGEM
ARTIFICIAL
Aconselhavel somente no caso de usa-la para otermino da secagem ,
quando o dia fica chuvoso e a umidade do ar e do ambiente aumenta,
comprometendo a qualidade do produto que esta sendo seco.
A secagem artificial consiste em manter sob ventilação
a uma temperatura de 35 a 40º C. As temperaturas acima de 45º
C danificam os órgãos vegetais e seu próprio
conteúdo, pois proporcionam uma "cocção" das
plantas e não uma secagem, apesar de inativarem mais rapidamente
as enzimas.
ARMAZENAMENTO
E EMBALAGEM
O
material está pronto para ser embalado e guardado quando começa
a ficar levemente quebradiço. O teor de umidade ideal após
a secagem deve ser de 5 a 10% para folhas e flores, para cascas e
raízes esta umidade varia entre 12 e 20%.
O
período de armazenagem deve ser o menor possível, para
reduzir as perdas de princípios ativos. Preferencialmente o
local deve ser escuro, arejado e seco, sem acesso de insetos, roedores
ou poeira.
O
acondicionamento do material vai depender do volume produzido e do
tempo que se pretende armazená-lo. Serão necessários
estudos para avaliar os diversos tipos de embalagens e o período
de conservação máximo.
Pequenas
quantidades de plantas podem ser colocadas em potes de vidroque também
permitem boa conservação. Em todos os casos não
se recomenda colocar próximas as embalagens de espécies
diferentes (principalmente as fortemente aromáticas) ou depositar
diretamente sobre o piso (colocar sobre estrados próprios ou
dependurar). O material, antes de ser armazenado, deve ser inspecionado
quanto à presença de insetos e fungos. Durante o armazenamento
deve-se repetir com frequência tais inspeções.
No caso de ataque recomenda-se eliminar o material, não se
aconselha o expurgo com inseticidas das instalações
em presença das ervas, uma vez que não existe registro,
para plantas medicinais, dos produtos normalmente utilizados nestas
operações.