.:.:. Agricultura .:.:.

Plantas Medicinais Aromáticas e Condimentos

ÍNDICE

1. Colheita e Secagem 

2. Princípios Ativos 

3. Formas de Preparo e Uso dos Fitoterápicos

4. Formas de Uso

5. Herbário 

6. Glossário

Tela: Nicholas RoerichAS ERVAS

"As ervas devem ser colhidas em seu hábitat natural, em seu estado nativo; devem ser observadas as influências dos ciclos lunares, horário do dia e estações do ano, também, para sua coleta. Devem ser cuidadosa e amorosamente selecionadas e suasecagem feita de acordo com os aspectos de cada vegetal. Todos estes fatoresinfluenciam de maneira significa-tiva, na atuação destas ervas no ser humano, somados também aos componentes bioquímicos de cada exemplar do reino vegetal. Utilizar-se de plantas para alimentação ou cura é uma relação homem/vegetal que existe há muito tempo. E hoje quanto mais nos tornamos íntimos deste processo, mais esta-remos aproximando-nos da pureza e da origem de nossa vida; nosso físico purifica-se e abre-se a oportunidade para uma harmonia mais completa."

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"As ervas, pôr conservarem características naturais e os processos de obtenção serem artesanais e harmônicos, mantém características próprias e mais sutis que poderão não assemelhar-se com "produtos comerciais", obtidos pôr outros processos e intenções." 

 
  1. A COLHEITA E SECAGEM

  As espécies medicinais, no que se refere à produção de principios ativos, apresentam alta variabilidade no tempo e espaço. O ponto de colheita varia segundo órgao da planta, estágio de desenvolvimento,  hora do dia, semana do mês e  época do ano. 
A distribuição das substâncias ativas, numa planta, pode ser bastante irregular, assim, alguns grupos de substâncias localizam-se preferencialmente em órgãos específicos do vegetal.  
O estágio de desenvolvimento também é muito importante para que se determine o melhor  momento para a  colheita, principalmente em plantas perenes e anuais de ciclo longo, onde a máxima concentração é atingida a partir de certa idade e/ou fase de desenvolvimento.  
Há uma grande variação na concentração de princípios ativos durante o dia: os alcalóides e óleos essenciais concentram-se mais pela manhã, os glicosídeos à tarde.  
Também a época do ano  exerce modificações nos teores de princípios ativos, assim a colheita de raízes no começo do inverno ou no início da primavera (antes da brotação), são citados como melhores épocas.
As cascas são colhidas quando planta está completamente desenvolvida, ao fim da vida anual ou antes da floração (nas perenes), nos arbustos as cascas são separadas no outono e, nas árvores, na primavera. 
No caso de sementes recomenda-se esperar até o completo amadurecimento, no caso de frutos deiscentes (cujas sementes caem após o amadurecimento), a colheita deve ser antecipada. 
Os frutos carnosos com finalidade medicinal são coletados completamente maduros. Os frutos secos, como os aquênios, podem cair após a secagem na planta, por isso recomenda-se antecipar a colheita.
Deve-se salientar que a colheita das plantas em um  determinado momento  tem o intuito de obter o máximo teor de princípio ativo, no entanto, na maioria das vezes, e em casos de necessidade de urgencia,  nada impede que as plantas sejam colhidas antes ou depois do ponto de colheita para uso imediato. 

Como Colher:

Uma vez determinado o momento correto, deve-se fazer a colheita com tempo seco, de preferência, e sem água sobre as partes, como orvalho ou água nas folhas. Assim a melhor hora da colheita é pela manhã, logo que secar o orvalho das plantas.
O material colhido é colocado em cestos e caixas; deve-se ter o cuidado de não amontoá-los ou amassá-los, para não acelerar a degradação e perda de qualidade.
Deve-se evitar a colheita de plantas doentes, com manchas, fora do padrão, com terra, poeira, órgãos deformados, etc. 
Durante o processo de colheita é importante evitar a incidência direta de raios solares sobre as partes colhidas, principalmente flores e folhas. As raízes podem permanecer por algum tempo ao sol. 
 Imediatamente após a colheita o material deve ser encaminhado para a secagem.  

PROCESSAMENTO PÓS-COLHEITA 

Normalmente após a colheita das plantas pode-se fazer o uso direto do material fresco, extrair substâncias ativas e aromáticas do material fresco ( tinturas ) ou a secagem. 

CUDADOS QUE ANTECEDEM A SECAGEM 

Antes da secagem, deve-se adotar alguns procedimentos básicos para a boa qualidade do produtos:
-Não se deve lavar as plantas previamente antes da secagem, exceto no caso de raízes e rizomas que devem ser lavados.
-Deve-se separar as plantas de espécies diferentes. 
-As plantas colhidas e transportadas ao local de secagem não devem receber raios solares. 
-Antes de submeter as plantas à secagem, deve-se fazer a eliminação de impurezas (terra, pedras, outras plantas, etc) e partes da planta que estejam em condições indesejáveis (sujas, descoloridas ou manchadas, danificadas...).
-As plantas colhidas inteiras devem ter cada parte (folhas, flores, sementes, frutos e raízes) colocadas para secar em separado, e conservadas depois em recipientes separados.
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Quando as raízes são volumosas, pode-se cortá-las em pedaços ou fatias para facilitar a secagem. 
-Para secar as folhas, a melhor maneira é conservá-las com seus talos, pois isto preserva suas qualidades, previne danos e facilita o manuseio. Folhas grandes devem ser secas separadas do caule. Nas fohas com nervura principal muito espessa,  estas são removidas para facilitar a secagem. 

 SECAGEM 

O consumo de plantas medicinais frescas garante ação mais eficaz dos princípios curativos, entretanto, nem sempre se dispõe de plantas frescas para uso imediato, e a secagem possibilita conservação quando bem conduzida.
A redução do teor de água durante a secagem, impede a ação enzimática e consequente deterioração.
O órgão vegetal, seja folha, flor, raiz, casca, quando recém colhido se apresenta com elevado teor de umidade e substratos, o que concorre para um aumento na ação enzimática, que compreende diversas reações. Estas reações são reduzidas à medida que se retira água do órgão, pois a redução de umidade do meio é o melhor inibidor da ação enzimática. Daí a necessidade de iniciar a secagem imediatamente após a colheita.  
A secagem reduz o peso da planta, em função da evaporação de água contida nas células e tecidos das plantas, promovendo o aumento percentual de princípios ativos em relação ao peso inicial da planta. Daí dever-se utilizar menor quantidade de plantas secas do que frescas. No entanto, esta percentagem varia com a idade da planta e condições de umidade do meio. 

 SECAGEM NATURAL 

A secagem natural é um processo lento, que deve ser conduzido à sombra, em local ventilado, protegido de poeira e do ataque de insetos e outros animais. Este processo é recomendado para regiões que tenham condições climáticas favoráveis, relacionadas principalmente a alta ventilação e temperatura, com baixa umidade relativa.   
O secador de temperatura ambiente  dá bons resultados em climas secos e quentes quando na época da colheita e secagem. Constitui-se numa sala ou salão com um telhado de duas águas. Dentro, deve conter estruturas de madeira ou metal, onde se apoiam as plantas em feixes ou em bandejas. 
Deve-se espalhar o material a ser seco em camadas finas, permitindo assim a circulação de ar entre as partes vegetais, o que favorece a secagem mais uniforme.  Para isto podem ser utilizadas bandejas com moldura semelhantes.  Quando a secagem é muito lenta, pode-se fazer cuidadosa movimentação das plantas sobre as bandejas, evitando-se danos, principalmente se o material está muito úmido. 
Outra maneira prática é dependurar as plantas em feixes pequenos amarrados com barbante. Os feixes devem ficar afastados entre si.
As plantas secas nestas condições vão ter um teor de umidade em equilíbrio com a umidade relativa do ambiente. Se esta for baixa, tanto menor vai ser o teor de umidade ao final da secagem, o que melhora a conservação do material seco. 

 SECAGEM ARTIFICIAL 
Aconselhavel somente no caso de usa-la para otermino da secagem , quando o dia fica chuvoso e a umidade do ar e do ambiente aumenta, comprometendo a qualidade do produto que esta sendo seco. 
A secagem artificial consiste em manter sob ventilação a uma temperatura de 35 a 40º C. As temperaturas acima de 45º C danificam os órgãos vegetais e seu próprio conteúdo, pois proporcionam uma "cocção" das plantas e não uma secagem, apesar de inativarem mais rapidamente as enzimas.  

 ARMAZENAMENTO E EMBALAGEM 

O material está pronto para ser embalado e guardado quando começa a ficar levemente quebradiço. O teor de umidade ideal após a secagem deve ser de 5 a 10% para folhas e flores, para cascas e raízes esta umidade varia entre 12 e 20%. 
O período de armazenagem deve ser o menor possível, para reduzir as perdas de princípios ativos. Preferencialmente o local deve ser escuro, arejado e seco, sem acesso de insetos, roedores ou poeira.  
O acondicionamento do material vai depender do volume produzido e do tempo que se pretende armazená-lo. Serão necessários estudos para avaliar os diversos tipos de embalagens e o período de conservação máximo.  
Pequenas quantidades de plantas podem ser colocadas em potes de vidroque também permitem boa conservação. Em todos os casos não se recomenda colocar próximas as embalagens de espécies diferentes (principalmente as fortemente aromáticas) ou depositar diretamente sobre o piso (colocar sobre estrados próprios ou dependurar).  O material, antes de ser armazenado, deve ser inspecionado quanto à presença de insetos e fungos. Durante o armazenamento deve-se repetir com frequência tais inspeções. No caso de ataque recomenda-se eliminar o material, não se aconselha o expurgo com inseticidas das instalações em presença das ervas, uma vez que não existe registro, para plantas medicinais, dos produtos normalmente utilizados nestas operações.

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