Para
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EDUCAÇÃO |
Aqui
reunimos alguns textos que apareceram de forma espontânea em nossas
mãos, e que em diversas situações podem servir
como auxílio para o entendimento do que realmente significa, " Educação".
Na educação de nossos filhos, todo
exagero é negativo
Responda-lhe, não o instrua.
Proteja-o, não o cubra.
Ajude-o, não o substitua.
Abrigue-o, não o esconda.
Ame-o, não o idolatre.
Acompanhe-o, não o leve.
Mostre-lhe o perigo, não o atemorize.
Inclua-o, não o isole.
Alimente suas esperanças, não as descarte.
Não exija que seja o melhor, peça lhe para ser bom e dê exemplo.
Não o mime em demasia, rodeie-o de amor.
Não o mande estudar, prepare-lhe um clima de estudo.
Não fabrique um castelo par ele, vivam todos com naturalidade.
Não lhe ensine a ser, seja você como quer que ele seja.
Não lhe dedique a vida, vivam todos.
Lembre-se de que seu filho não o escuta, ele O OLHA.
E, finalmente, quando a gaiola do canário se quebrar, não compre
outra...
ENSINE-LHE A VIVER SEM PORTAS.
(do
livro "Educar com o Coração" de Eugenia Puebla - editora Fundação
Peirópolis)
1. Contribuição da "Criarte escola 1o. grau" - Publicado no" Suplemento
de Saúde e Educação", de distribuição interna.
O Tocar
Deldon Anne McNeely (terapeuta junguiano)
"União, relacionamento, a força do contato físico - o efeito do corpo
de uma pessoa sobre o de outra é tão grande que nos foi preciso negá-lo,
torná-lo cerimonioso, reprimido, e depois reagir contra a repressão,
num esforço para reintegrar o encanto e a glória da comunicação corpo-a-corpo
no espaço vital do cotidiano".
Uma estória de Caricias
Claude Steiner
Para
entender a felicidade deles, é preciso retroceder àquele tempo.
Cada pessoa, quando nascia, ganhava um saquinho dc carinhos. Sempre
que uma pessoa punha a mão no saquinho podia tirar um Carinho Quente.
Os Carinhos Quentes faziam as pessoas sentirem-se quentes e aconchegantes,
cheias dc carinho. As pessoas que não recebiam Carinhos Quentes expunham-sc
ao perigo dc pegar uma doença nas costas que as fazia murchar e morrer.
Era fácil receber Carinhos Quentes. Sempre que alguém os queria, bastava
pedi-los. Colocando-sc a mão na sacolinha surgia um Carinho do tamanho
da mão de uma criança. Ao vir à luz. o Carinho se expandia e sc. Transformava
num grande Carinho Quente que podia ser colocado no ombro, na cabeça,
no colo da pessoa.
Então, misturava-se com a pele c a pessoa se sentia toda bem.
As pessoas viviam pedindo Carinhos Quentes umas às outras c nunca havia
problemas para conseguí-los, pois eram dados de graça. Por isso todos
eram felizes c cheios de carinhos, na maior parte do tempo.
Um dia uma bruxa má ficou brava porque as pessoas, sendo felizes, não
comprovam as poções c ungüentos que ela vendia. Por ser muito esperta,
a bruxa inventou um plano muito malvado. Certa manhã ela chegou perto
do Antônio enquanto Maria brincava com a filha e cochichou cm seu ouvido:
"olha Antônio veja os carinhos que Maria está dando à Lúcia. Sc ela
continuar assim vai consumir todos os carinhos e não sobrará nenhum
para você".
Antônio ficou admirado e perguntou: "Quer dizer então que não é sempre
que existe um Carinho Quente na sacola?"
E a bruxa respondeu: "Eles podem se acabar e você não os ganhará mais".
Dizendo isso a bruxa foi embora, montada na vassoura, gargalhando muito.
Antônio ficou preocupado e começou a reparar cada vez que Maria dava
um Carinho Quente para outra pessoa, pois temia perde-los. Então começou
a se queixar a Maria, de quem gostava muito, c Antônio também parou
de dar carinhos aos outros, reservando-os somente para ela.
As crianças perceberam e passaram também a economizar carinhos, pois
entenderam que era errado dá-los.
Todos ficaram cada vez mais mesquinhos.
As pessoas do lugar começaram a sentir-se menos quentes c acarinhados
e algumas chegaram a morrer por falta de Carinhos Quentes. Cada vez
mais gente ia à bruxa para adquirir ungüentos e poções. Mas a bruxa
não queria realmente que as pessoas morressem porque se isso ocorresse
deixariam de comprar poções e ungüentos: inventou um novo plano. Todos
ganhavam um saquinho que era muito parecido com o saquinho dc Carinhos
porém era frio e continha Espinhos Frios. Os Espinhos Frios faziam as
pessoas sentirem-se frias e espetadas, mas evitava que murchassem.
Daí para frente sempre que alguém dizia "Eu quero um Carinho Quente"*
aqueles que tinham medo de perder um suprimento, respondiam: "Não posso
Ihe dar um Carinho Quente, mas se você quiser, posso dar-lhe um Espinho
Frio".
A
situação ficou muito complicada porque, desde a vinda da bruxa havia
cada vez menos Carinhos Quentes para se achar e estes se tornaram valiosíssimos.
Isto fez com que as pessoas tentassem de tudo para conseguí-los .
Antes da bruxa chegar as pessoas costumavam se reunir em grupos de três,
quatro, cinco sem se preocuparam com quem estava dando carinho para
quem. Depois que a bruxa apareceu, as pessoas começaram a se juntar
aos pares, e a reservar todos seus Carinhos Quentes exclusivamente para
o parceiro.
Quando se esqueciam e davam um Carinho Quente para outra pessoa, logo
se sentiam culpadas. As pessoas que não conseguiam encontrar parceiros
generosos precisavam trabalhar muito para obter dinheiro para comprá-los.
Outras pessoas se tronavam simpáticas e recebiam muitos Carinhos Quentes
sem ter de retribuí-los. Então, passavam a vendê-los aos que precisavam
deles para sobreviver. Outras pessoas, ainda, pegavam os Espinhos Frios,
que eram ilimitados e de graça, cobriam-nos com cobertura branquinha
e estufada, fazendo-os passar por Carinhos Quentes. Eram na verdade
carinhos falsos, de plástico, que causavam novas dificuldades. Por exemplo,
duas pessoas se juntavam e trocavam entre si, livremente, os seus Carinhos
Plásticos. Sentiam-se bem em alguns momentos mas, logo depois sentiam-se
mal. Como pensavam que estavam trocando Carinhos Quentes, ficavam confusas.
A situação, portanto, ficou muito grave.
Não
faz muito tempo uma mulher especial chegou ao lugar. Ela nunca tinha
ouvido falar na bruxa e não se preocupava que os Carinhos Quentes acabassem.
Ela os dava de graça, mesmo quando não eram pedidos.
As pessoas do lugar desaprovavam sua atitude porque essa mulher dava
às crianças a idéia de que não deviam se preocupar com que os Carinhos
Quentes terminassem, e a chamavam de Pessoa Especial.
As crianças gostavam muito da Pessoa Especial porque se sentiam bem
em sua presença e passaram a dar Carinhos Quentes, sempre que tinham
vontade.
Os adultos ficavam muito preocupados e decidiram impor uma lei para
proteger as crianças do desperdício de seus Carinhos Quentes. A lei
dizia que era crime distribuir Carinhos Quentes sem uma licença. Muitas
crianças, porém, apesar da lei. continuavam a trocar Carinhos Quentes
sempre que tinham vontade ou que alguém os pedia. Como existiam muitas
crianças parecia que elas prosseguiriam seu caminho Ainda não sabemos
dizer o que acontecerá. As forças da lei e da ordem dos adultos forçarão
as crianças a parar com sua imprudência? Os adultos se juntarão à Pessoa
Especial e às crianças e entenderão que sempre haverá Carinhos Quentes,
tantos quantos forem necessários? Lembrar-se-ão dos dias em que os Carinhos
Quentes eram inesgotáveis porque eram distribuídos livremente? Em qual
dos lados você está? O que você pensa disto?
2. Texto publicado na revista "Nova Escola" , no. 107, da Fundação
Victor Civita.
ESTRELAS EM GREVE
Todas
as noites, as mulheres se punham diante da televisão para ver
as novelas. Os homens cochilavam no sofá e a criançada
brincavam nos computadores. Ninguém tinha tempo de olhar para
o céu.
Sem platéia, as estrelas decidiram entrar em greve por tempo
indeterminado. A Lua, solidária com as amigas, aderiu ao protesto
e também se escondeu.
Foi um fuzuê no mundo inteiro. As galinhas, que dormiam com a
estrela-d'alva, perderam o sono e deixaram de botar ovos. As corujas
pararam de piar. Os tatus não saíram mais das tocas. Os
grilos silenciaram. Os anjos da guarda, que desciam à noitinha
para ninar as crianças, perdiam-se no caminho. As damas da noite
não abriram mais suas pétalas. No escuro, o vento não
enxergava nada e não sabia para onde soprar. Os poetas caíram
em desanimo e a produção de poesia imediatamente cessou.
Os agricultores ignoravam se era ou não a época certa
para semear. As marés, desorientadas, subiam e desciam à
deriva .
Então, os homens descobriram que aquilo tinha a ver com o sumiço
das estrelas. Chamaram os melhores astrônomos, mas eles não
souberam explicar o ocorrido. Convocaram as feiticeiras para resolver
o assunto, elas fizeram lá suas mandingas, mas não adiantou
nada A coisa estava realmente preta Até que, numa noite, um homem
saiu de casa e se pôs a contemplar o céu na escuridão.
Lembrou que a mãe Ihe ensinara a posição do Cruzeiro
do Sul. Outro se juntou a ele e recordou as histórias de Lua
cheia, quando aparecia o lobisomem. Um velho ouviu a conversa dos dois
e veio contar que, em criança, tinha visto o Cometa Halley. Apareceu
uma mulher e comentou que só cortava os cabelos na Lua minguante.
Outra mulher falou que, havia alguns anos, vira uma estrela cadente
e fizera um pedido. O marido ouviu-a e disse que o pedido era ter o
amor dele para sempre. Outro homem contou que Ihe nascera uma verruga
no dedo porque, quando garoto, apontara para as Três-Marias. Aos
poucos, as pessoas foram saindo de casa e cada uma tinha sua história
para contar sobre a Lua e as estrelas.
Quanto estavam todos na rua olhando o céu vazio, as estrelas,
que os observavam do fundo da noite, apareceram de surpresa, acendendo-se
ao mesmo tempo. Foi lindo: parecia uma chuva de gotas prateadas.
Em seguida, despontou a Lua, com seu brilho magnífico, como um
holofote.
Aí todos entenderam o motivo daquela greve. E, imediatamente,
decidiram em consenso: podiam ver televisão, dormir no sofá
e brincar com o computador todas as noites. Mas, de vez em quando, iriam
dar uma espiadinha no céu para ver o show das estrelas.
Conto de João A. Carrascoza
3. Contribuição da "Kriarthee-escola de 1o. grau"-
texto publicado no "Suplemento de Saúde e Educação", de distribuição
interna.
CONHECE-TE A TI MESMO
Um
guerreiro samurai, conta uma velha história japonesa, certa vez
desafiou um mestre Zen a explicar o conceito de céu e inferno.
Mas o monge respondeu-lhe com desprezo:
- Não passas de um rústico... não vou desperdiçar
meu tempo com gente da tua laia!
Atacado na própria honra, o samurai teve um acesso de fúria
e, sacando a espada da bainha, berrou:
- Eu poderia te matar por tua impertinência
- Isso - respondeu calmamente o monge - é o inferno.
Espantado por reconhecer como verdadeiro o que o mestre dizia acerca
da cólera que o dominara, o samurai acalmou-se, embainhou a espada
e fez uma mesura, agradecendo ao monge a revelação.
- E isso - disse o monge - é o céu.
A súbita consciência do samurai sobre seu estado de agitação
ilustra a crucial diferença entre alguém se ver presa
de um sentimento e tomar consciência de que esta sendo arrebatado
por ele. A recomendação de Sócrates -"Conhece-te
a ti mesmo" - é a pedra de toque da inteligência emocional:
a consciência de nossos sentimentos no momento exato em que eles
ocorrem.
A primeira vista, pode parecer que nossos sentimentos são óbvios;
uma reflexão mais demorada nos lembra das vezes em que fomos
muito indiferentes ao que de fato sentimos sobre uma coisa, ou quando
tarde demais nos demos conta desses sentimentos. Os psicólogos
falam de metacognição - um termo um pouco pesado -para
referirem-se a consciência do processo de pensar, e metaestado
de espírito para a consciência de nossas emoções.
Eu prefiro o termo autoconsciência, no sentido de permanente atenção
ao que estamos sentindo internamente. Nessa consciência auto-reflexiva,
a mente observa e investiga o que esta sendo vivenciado, incluindo as
emoções. Essa auto consciência parece exigir um
neocórtex ativado, sobretudo nas áreas da linguagem, sintonizado
para identificar e nomear as emoções despertadas. A autoconsciência
não é uma atenção que se deixa levar pelas
emoções, reagindo com exagero e amplificando a percepção.
Ao contrário, é um modo neutro, que mantém a auto-reflexividade
mesmo em meio a emoções turbulentas.
Wllliam Styron parece descrever algo semelhante a essa faculdade da
mente, ao escrever sobre sua profunda depressão, quando fala
da sensação de "estar sendo acompanhado por um segundo
eu - um observador fantasmagórico que, não partilhando
da demência de seu duplo, pode ficar observando com desapaixonada
curiosidade enquanto o companheiro se debate". No melhor de si,
a auto-observação permite exatamente essa consciência
equânime de sentimentos arrebatados ou turbulentos.
No mínimo, manifesta-se simplesmente como um ligeiro recuo da
experiência, um fluxo paralelo de consciência que é
"meta": pairando acima ou ao lado da corrente principal, mais
consciente do que se passa do que imersa e perdida nele. É a
diferença entre, por exemplo, sentir uma fúria assassina
contra alguém e ter o pensamento auto-reflexivo: "O que
estou sentindo é raiva", mesmo quando se está furioso.
Em termos da mecânica neural da consciência, essa sutil
mudança de atividade mental presumivelmente avisa que os circuitos
neocortiacais estão monitorando ativamente a emoção,
primeiro passo para adquirir algum controle.
Essa consciência das emoções é a aptidão
emocional fundamental sobre a qual se fundam outras, como o autocontrole
emocional.
Embora haja uma distinção lógica entre estar consciente
dos sentimentos e agir para mudá-los, Mayer constata que, para
todos os fins práticos, as duas em geral se combinam: reconhecer
um estado de espírito negativo é querer livrar-se dele.
Esse reconhecimento, porém, é distinto das tentativas
que fazemos para evitar agir impulsivamente.
Autor:
Daniel Goleman
Livro: Inteligência Emocional
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